Pesquisa com 4,8 mil jovens revela como preço, qualidade, avaliações e especialistas estão mudando os hábitos de consumo no Brasil.
Uma pesquisa recente sobre o comportamento de consumo dos jovens brasileiros está colocando em xeque uma ideia bastante difundida: a de que a Geração Z compra principalmente por impulso e segue facilmente as tendências das redes sociais. O levantamento Radar Jovem CIEE, realizado com 4.834 pessoas de 14 a 28 anos, mostra um consumidor mais cuidadoso, que pesquisa informações, compara alternativas e presta atenção ao que recebe em troca do dinheiro. (Portal SGC)
O resultado ganha importância porque essa geração está entrando ou avançando na vida profissional e assumindo cada vez mais decisões financeiras. Metade dos entrevistados concilia estudo e trabalho, enquanto 54,5% afirmam pagar suas próprias compras de maneira totalmente autônoma. Ao mesmo tempo, quase 40% dizem priorizar guardar ou investir o dinheiro que sobra no mês. (Correio Braziliense)
Mais do que mostrar como os jovens gastam, os números ajudam a entender uma transformação cultural que pode alcançar outras faixas etárias. O consumidor atual tem acesso a avaliações, vídeos, preços e opiniões antes de decidir, e isso aumenta a exigência sobre marcas, produtos e serviços. A mudança também ajuda a explicar por que popularidade nas redes sociais já não significa necessariamente confiança.
Por que os jovens estão pesquisando mais antes de comprar?
A principal característica revelada pelo levantamento é a busca por informação antes de tomar decisões. Quando precisam realizar uma compra importante, 48,1% dos jovens afirmam assistir a vídeos de review, enquanto 19,6% consultam avaliações de outros consumidores e 18,6% comparam preços na internet. Na prática, isso significa que a jornada de compra começa muito antes do pagamento. (Correio Braziliense)
Esse comportamento também pode ser entendido pelo contexto econômico em que essa geração está crescendo. Para quem possui orçamento limitado ou está começando a administrar o próprio dinheiro, uma compra ruim representa uma perda que pode comprometer outros planos. Por isso, pesquisar deixa de ser apenas uma característica ligada à internet e passa a funcionar como uma forma de reduzir riscos e aumentar a sensação de controle sobre o consumo.
O levantamento ainda mostra que qualidade, preço e atendimento aparecem entre os atributos mais importantes na escolha de uma marca. Qualidade foi apontada por 48,8% dos participantes, enquanto preço apareceu com 26,4% e atendimento com 24,7%, segundo dados divulgados sobre o estudo. As causas defendidas pelas empresas aparecem em posição posterior, indicando que discursos institucionais precisam estar acompanhados de uma experiência concreta para conquistar esse público. (Propmark)
Isso não significa que os jovens tenham deixado de se importar com valores ou causas. A leitura mais adequada é que propósito, identidade e posicionamento não conseguem compensar indefinidamente um produto caro, de baixa qualidade ou acompanhado de atendimento ruim. Para o consumidor, a promessa precisa fazer sentido quando comparada com aquilo que efetivamente recebe.
O que mudou na relação entre jovens, redes sociais e influenciadores?
Outro resultado que chama atenção está na relação com criadores de conteúdo. Apenas 6,3% dos entrevistados afirmam confiar em grandes influenciadores e famosos, enquanto 44,6% demonstram preferência por micro e médios influenciadores especializados em determinado assunto. Outros 34,1% dizem não confiar em nenhum tipo de influenciador. (Portal SGC)
A diferença sugere uma mudança importante na lógica da influência digital. Ter milhões de seguidores pode garantir visibilidade, mas não necessariamente transmite conhecimento ou credibilidade sobre um produto. Um criador especializado, por outro lado, pode ser percebido como mais próximo de uma pessoa comum que pesquisou, testou e consegue explicar detalhes relevantes antes de uma decisão de compra.
Esse fenômeno ajuda a explicar por que vídeos de avaliação e opiniões de consumidores continuam relevantes mesmo em um ambiente dominado por conteúdos rápidos. O jovem pode descobrir um produto em uma rede social, mas ainda procura outras informações antes de gastar. A descoberta e a decisão, portanto, podem acontecer em ambientes diferentes, formando uma jornada de consumo muito mais fragmentada.
A preferência pelo contato direto reforça essa característica. Se pudessem escolher apenas um canal para conversar com uma marca, 54,8% dos participantes escolheriam o WhatsApp, muito à frente do e-mail, citado por 13,1%. O dado revela que conveniência não está apenas na compra: o consumidor também espera respostas rápidas quando precisa tirar dúvidas, resolver problemas ou acompanhar uma solicitação. (Portal SGC)
O que essa mudança revela sobre o futuro do consumo no Brasil?
A pesquisa também aponta para uma combinação que pode influenciar o varejo nos próximos anos: forte presença digital com comportamento financeiro relativamente cuidadoso. As plataformas e marketplaces online foram escolhidos por 70,2% dos entrevistados como preferência de compra, enquanto as lojas físicas ficaram com 20,9% e o e-commerce próprio das marcas com 7,3%. (Portal SGC)
O Pix aparece como principal forma de pagamento, escolhido por 63,3% dos jovens, enquanto o crédito parcelado foi citado por 18,9%. Esses números mostram como a experiência de compra está ligada à praticidade, mas também precisam ser observados dentro do contexto de uma geração que começa a assumir maior autonomia financeira. A conveniência digital não elimina a preocupação com o orçamento.
Para as empresas, o cenário cria um desafio que vai além de produzir publicidade para redes sociais. A marca precisa ser encontrada, mas também precisa sobreviver à comparação com concorrentes, avaliações negativas e análises independentes. Para o consumidor, essa transformação representa uma vantagem: quanto mais informações estiverem disponíveis antes da compra, maior tende a ser a capacidade de escolher com base em critérios próprios, em vez de depender apenas da publicidade.
A tendência também pode ultrapassar a própria Geração Z. Ferramentas de comparação, marketplaces, avaliações e vídeos de análise já fazem parte da rotina de consumidores de diferentes idades, e a expansão desse comportamento tende a aumentar a pressão por transparência. Nos próximos anos, empresas que conseguirem combinar preço competitivo, qualidade, atendimento eficiente e comunicação clara terão mais chances de transformar atenção em confiança.
O principal legado desse movimento pode ser justamente a mudança na pergunta feita antes de comprar. Em vez de apenas “quem está divulgando?”, o consumidor tende a perguntar “isso realmente vale o que custa?”. Para marcas e criadores, isso significa que reputação não será construída somente por alcance, mas pela capacidade de entregar informação confiável e uma experiência coerente. Para os consumidores brasileiros, a tendência aponta para uma relação mais crítica com publicidade, influência digital e decisões de compra.
Fontes:
- Correio Braziliense: Pesquisa revela que Geração Z é metódica nas compras
- SGC TV: Pesquisa revela comportamento de consumo dos jovens brasileiros em 2026
- Propmark: Jovem valoriza preço, qualidade e transparência na hora de comprar
- Nosso Meio: Jovens brasileiros são pragmáticos na hora de comprar
- CIEE: site oficial da instituição


