A NASA selecionou a SpaceX para realizar o lançamento do StarBurst, um pequeno satélite criado para investigar explosões de raios gama associadas à fusão de estrelas de nêutrons. O anúncio foi divulgado em 17 de setembro de 2026 e prevê que a missão decolará não antes de 2028, a partir do Complexo de Lançamento Espacial 40, na Flórida.
O satélite será colocado em órbita em uma missão compartilhada, utilizando um foguete Falcon 9. A contratação faz parte do programa Astrophysics Pioneers, da NASA, voltado ao desenvolvimento de missões espaciais de menor custo para ampliar a investigação científica do Universo.
De acordo com a NASA, o StarBurst deverá monitorar a maior parte do céu que não fica bloqueada pela Terra. A proposta é identificar eventos extremamente energéticos e enviar informações que possam ser comparadas com dados produzidos por detectores de ondas gravitacionais e outros telescópios.
O que é o satélite StarBurst
O StarBurst é uma missão espacial dedicada à detecção de explosões curtas de raios gama. Esses fenômenos estão entre os eventos mais energéticos observados no espaço e podem ocorrer quando duas estrelas de nêutrons se fundem, produzindo uma intensa emissão de radiação.
Estrelas de nêutrons são remanescentes extremamente densos de estrelas. Quando esses objetos colidem, o fenômeno pode gerar diferentes sinais, incluindo ondas gravitacionais e jatos relativísticos. Ao observar os raios gama liberados nessas explosões, os pesquisadores esperam compreender melhor como esses eventos acontecem e quais são suas consequências.
A página NASA Science informa que a missão foi concebida para estudar justamente a relação entre as explosões curtas de raios gama e as fusões de estrelas de nêutrons. O trabalho também poderá ajudar a analisar as características dos objetos formados depois dessas colisões.
Como a missão estudará estrelas de nêutrons
O StarBurst não atuará isoladamente. Seus dados deverão ser analisados em conjunto com informações obtidas por observatórios capazes de detectar ondas gravitacionais, além de outros instrumentos que acompanham o céu em diferentes faixas de energia.
Essa combinação de sinais é chamada de astronomia multimensageira. Em vez de depender de uma única forma de observação, os cientistas reúnem evidências produzidas por diferentes detectores para reconstruir fenômenos que não podem ser compreendidos completamente por apenas um tipo de instrumento.
Na prática, uma explosão de raios gama poderá ser comparada com uma eventual detecção de ondas gravitacionais relacionada ao mesmo evento. A análise conjunta deve fornecer uma visão mais ampla sobre a origem das explosões, a formação dos jatos relativísticos e as propriedades dos objetos que surgem após a fusão.
Lançamento está previsto para ocorrer na Flórida
O lançamento deverá ocorrer no Complexo de Lançamento Espacial 40, instalação localizada na Flórida. O StarBurst viajará como carga compartilhada em um foguete Falcon 9 da SpaceX, modelo utilizado pela empresa em missões orbitais de diferentes perfis.
A previsão divulgada pela NASA estabelece que a decolagem não acontecerá antes de 2028. Como se trata de uma missão ainda em preparação, a data definitiva de lançamento não foi informada no comunicado utilizado como base para esta reportagem.
O projeto é liderado pelo Marshall Space Flight Center, da NASA, em Huntsville, no Alabama. Também participam o Naval Research Laboratory, a University of Alabama in Huntsville, a Universities Space Research Association e o UTIAS Space Flight Laboratory.
Por que a astronomia multimensageira é importante
Fenômenos como a fusão de estrelas de nêutrons acontecem a grandes distâncias e envolvem condições extremas. Por isso, cada tipo de sinal captado no espaço oferece uma parte diferente da informação sobre o evento. Os raios gama ajudam a investigar as explosões de alta energia, enquanto as ondas gravitacionais registram perturbações produzidas pela colisão dos objetos.
Ao reunir esses dados, os pesquisadores podem comparar o momento e as características de diferentes sinais associados a uma mesma ocorrência. O objetivo do StarBurst é contribuir para esse esforço, ampliando a capacidade de localizar e estudar explosões curtas de raios gama.
A missão também representa a aplicação de uma estratégia de pesquisa baseada em satélites menores e projetos de custo reduzido. Dentro do programa Astrophysics Pioneers, o StarBurst terá a tarefa de observar eventos cósmicos extremos e complementar o trabalho de telescópios e detectores instalados no espaço e na Terra.


