Pesquisa inédita do NIC.br mostra que mais da metade dos internautas com 16 anos ou mais já se informa diariamente por meio de vídeos rápidos.
Uma pesquisa inédita divulgada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, o NIC.br, revelou que mais da metade dos usuários de internet brasileiros com 16 anos ou mais se informa diariamente por meio de vídeos curtos. O levantamento, batizado de Painel TIC – Integridade da Informação, foi conduzido em parceria com o Comitê Gestor da Internet no Brasil e mostra uma transformação profunda na forma como o país consome conteúdo digital.
Segundo o estudo, 72% dos entrevistados afirmam acessar redes sociais diariamente para se manterem atualizados sobre o que acontece no país e no mundo. Dentro desse universo digital, os conteúdos audiovisuais de rápida absorção lideram a preferência, com 53% dos usuários priorizando esse formato, seguidos por plataformas de vídeo mais tradicionais e por aplicativos de mensagens, usados por cerca de 60% dos brasileiros como fonte diária de informação.
Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil, destacou que os dados trazem evidências de uma mudança relevante na forma como as pessoas interagem com os conteúdos disponíveis online. Segundo ela, o surgimento de grandes plataformas digitais levou parte considerável do debate público para ambientes privados, submetidos a uma curadoria algorítmica que nem sempre segue critérios ligados à qualidade da informação apresentada.
Redes sociais transformam o consumo de conteúdo e o marketing digital
Um ponto observado pela pesquisa é que conteúdos compartilhados em círculos de confiança, como grupos de família, amigos ou colegas de trabalho, muitas vezes têm mais valor percebido pelo usuário do que uma notícia produzida por um veículo jornalístico profissional. Embora os vídeos curtos sejam ferramentas essenciais para a formação de opinião na atualidade, essa dinâmica também levanta preocupações sobre o empobrecimento do debate público e possíveis reflexos negativos nos processos democráticos e sociais do país.
Do ponto de vista de mercado, esse comportamento também tem moldado diretamente as estratégias de criadores de conteúdo e marcas que atuam nas redes sociais. Segundo o estudo The State of Social Media Marketing 2026, os vídeos curtos seguem como prioridade para 73% das estratégias digitais em todo o mundo, reforçando que a preferência do público brasileiro por esse formato acompanha uma tendência observada globalmente.
Entre as tendências que devem ganhar força ao longo de 2026 está a consolidação das chamadas mininovelas verticais, formato que já ganhou escala no Brasil por meio de projetos que estruturam narrativas seriadas especificamente para o consumo em vídeos curtos. Marcas e produtoras têm adotado esse tipo de conteúdo tanto para fins de entretenimento quanto como estratégia comercial, combinando storytelling com objetivos de engajamento e conversão.
Autenticidade segue como diferencial no conteúdo digital
Apesar do avanço de recursos como inteligência artificial e avatares virtuais na produção de conteúdo audiovisual, especialistas do setor apontam que a autenticidade continua sendo um dos principais vetores de engajamento nos vídeos curtos. Histórias reais, bastidores genuínos e emoções reconhecíveis seguem gerando maior conexão com o público do que produções excessivamente sofisticadas tecnicamente, mas distantes da experiência humana real.
Para o público brasileiro em geral, esses dados ajudam a explicar por que o consumo de notícias e entretenimento tem se concentrado cada vez mais em formatos rápidos e visuais, em detrimento de conteúdos mais longos e aprofundados. Esse movimento, que já era percebido no cotidiano das pessoas, agora aparece confirmado por dados oficiais, reforçando a importância de acompanhar como essa transformação no consumo de mídia deve evoluir ao longo dos próximos anos no país.
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