Levantamento da Fundação Grupo Volkswagen mostra que baixo nível de habilidades digitais amplia riscos de desigualdade na nova economia impulsionada pela IA.
Um estudo divulgado pela Fundação Grupo Volkswagen mostrou que a inteligência artificial pode impactar cerca de 37 milhões de trabalhadores no Brasil, reforçando que o futuro do mercado de trabalho brasileiro dependerá diretamente de políticas de qualificação profissional, inclusão digital e uso responsável da tecnologia. A pesquisa integra um esforço mais amplo para entender como a IA vem transformando as relações de trabalho em diferentes países ao redor do mundo.
Segundo o levantamento, cerca de 40% dos trabalhadores em todo o mundo estão em ocupações consideradas expostas à inteligência artificial. Na América Latina, esse percentual varia entre 26% e 38% dos empregos, o que reforça o desafio enfrentado por países em desenvolvimento diante da aceleração dessa transformação tecnológica em setores tradicionais da economia.
No caso específico do Brasil, o estudo aponta um cenário que soma dificuldades adicionais. Apenas 21,3% da população brasileira possui nível básico de habilidades digitais, uma limitação que reduz significativamente o acesso às oportunidades criadas pela nova economia digital. Essa combinação entre exposição tecnológica elevada e baixo preparo digital da população é apontada pelos pesquisadores como um fator de risco para o aprofundamento de desigualdades já existentes no mercado de trabalho nacional.
Novas profissões surgem enquanto outras enfrentam risco de automação
De acordo com a pesquisa, cerca de 2 milhões de trabalhadores brasileiros podem enfrentar risco de substituição total de suas ocupações nos próximos anos, em decorrência do avanço da automação impulsionada por sistemas de inteligência artificial. Os pesquisadores destacam, no entanto, que essa tecnologia isoladamente não determina esse futuro, já que políticas públicas de qualificação profissional podem alterar significativamente esse cenário.
Outros levantamentos recentes sobre o tema no Brasil reforçam a velocidade dessa transformação. Segundo dados do IBGE citados por veículos especializados, em janeiro de 2026 já eram 12,3 milhões de brasileiros utilizando ferramentas de inteligência artificial em suas atividades profissionais, um crescimento de 340% em relação a 2024. Pesquisas complementares indicam que 58% das empresas brasileiras já integraram algum tipo de solução de IA em seus processos operacionais.
Apesar do risco de substituição em determinadas funções, especialistas ouvidos por diferentes veículos de tecnologia destacam que o avanço da inteligência artificial também está criando novas oportunidades profissionais. Cargos como especialistas em IA, analistas de dados, engenheiros de prompt e profissionais responsáveis pela ética e governança de sistemas inteligentes têm registrado forte crescimento na demanda por parte das empresas brasileiras.
Qualificação digital será decisiva nos próximos anos
Segundo dados do LinkedIn Brasil citados em reportagens recentes, cerca de 31% das vagas de emprego na plataforma já mencionam habilidades em inteligência artificial como competência desejada, com salário médio até 47% maior para profissionais que dominam esse tipo de conhecimento. Esse cenário reforça a importância de qualificação contínua para quem busca se manter competitivo no mercado de trabalho nos próximos anos.
Para lidar com esse cenário de transformação acelerada, a Fundação Grupo Volkswagen defende que a inclusão produtiva da população brasileira precisa ir além do simples ensino de ferramentas tecnológicas. Segundo o estudo, investir em habilidades digitais básicas, competências socioemocionais, pensamento crítico e capacidade de adaptação será fundamental para que trabalhadores brasileiros consigam efetivamente se conectar às novas oportunidades geradas pela economia impulsionada por inteligência artificial nos próximos anos.
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