Os bancos brasileiros estimam investir aproximadamente R$ 3 bilhões em inteligência artificial, analytics e big data ao longo de 2026. O valor representa crescimento de 8% em relação ao ano anterior e integra um orçamento total de cerca de R$ 50 bilhões destinado à tecnologia pelo setor bancário. Os dados fazem parte da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, divulgada pela Federação Brasileira de Bancos durante o Febraban Tech 2026.
De acordo com a Febraban, o levantamento mostra que a inteligência artificial deixou de ser tratada apenas como uma tecnologia experimental. A ferramenta passou a ocupar uma posição mais central na estratégia operacional das instituições, com aplicações voltadas à automação, ao atendimento, à análise de dados e à segurança do sistema financeiro.
IA ganha espaço no orçamento tecnológico dos bancos
A pesquisa indica que 92% dos bancos consultados identificam ganhos de velocidade em tarefas rotineiras com o uso de inteligência artificial. O resultado sinaliza que a tecnologia já está sendo direcionada para atividades capazes de reduzir etapas manuais e acelerar processos internos, em vez de permanecer restrita a projetos de teste ou iniciativas isoladas.
Outros benefícios também aparecem entre as percepções das instituições participantes. Segundo os dados divulgados pela Febraban, 52% dos bancos mencionam redução no tempo de resposta aos clientes, redução de custos e maior eficiência na análise de dados. Já 48% apontam avanços na identificação e na prevenção de fraudes, uma das áreas mais sensíveis para a operação bancária digital.
Na prática, a combinação de inteligência artificial e análise de grandes volumes de informação amplia a capacidade dos bancos de reconhecer padrões, priorizar ocorrências e apoiar decisões operacionais. A pesquisa, no entanto, apresenta esses pontos como percepções e resultados informados pelas instituições consultadas, sem indicar que todas as aplicações tenham o mesmo nível de maturidade ou funcionamento em cada banco.
Fraudes e atendimento estão entre as principais aplicações
Outro destaque do levantamento é a expansão dos chamados agentes inteligentes de IA. As aplicações mais frequentes estão relacionadas à automação de processos internos, ao atendimento por chatbots e voicebots e ao suporte a atividades de desenvolvimento e operação. Esses recursos podem ser empregados para organizar fluxos, responder solicitações e auxiliar equipes em tarefas recorrentes.
O avanço da tecnologia também ocorre em um cenário de forte utilização dos canais digitais. Na primeira etapa da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, divulgada em 26 de junho, a entidade informou que 83% das transações bancárias eram realizadas por canais digitais, sendo 78% pelo celular.
Esse contexto ajuda a explicar por que atendimento, segurança e personalização aparecem entre os principais focos de investimento. Quanto maior o volume de operações digitais, maior também é a necessidade de manter serviços disponíveis, responder rapidamente aos usuários e identificar movimentações potencialmente fraudulentas. A adoção de IA, portanto, está associada tanto à eficiência interna quanto à experiência oferecida ao cliente.
Nuvem e capacitação acompanham avanço da inteligência artificial
Além dos recursos destinados a IA, analytics e big data, os bancos preveem investir R$ 3,9 bilhões em migração para a nuvem em 2026. O montante representa alta de 30% em relação ao ano anterior, conforme a divulgação oficial da Febraban. A infraestrutura de computação em nuvem é um dos elementos que sustentam o processamento de dados e a ampliação de serviços digitais.
A relação entre nuvem, inteligência artificial e canais digitais reforça uma transformação que ocorre em várias camadas do sistema bancário. A modernização não depende apenas de algoritmos, mas também de capacidade computacional, integração de dados, proteção de ambientes tecnológicos e processos de governança. Por isso, o aumento dos investimentos envolve infraestrutura e gestão, além da contratação ou desenvolvimento de soluções de IA.
A página oficial da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária reúne os volumes da edição de 2026 e serve como referência institucional para os dados apresentados. O levantamento também coloca em evidência desafios que acompanham a adoção da tecnologia, como segurança cibernética, transparência, capacitação profissional e supervisão humana.
Com os investimentos previstos, a inteligência artificial nos bancos tende a avançar de projetos específicos para aplicações integradas à rotina operacional. O movimento pode alterar a forma como instituições analisam informações, previnem fraudes e atendem clientes, mas seus resultados dependem da qualidade dos dados, dos controles internos e da capacidade de acompanhar riscos tecnológicos. Os números da Febraban mostram a dimensão financeira dessa transição no setor bancário brasileiro em 2026.


