Conforme informa Rolando Bonaccorsi, entusiasta e ciclista de estrada amador, o crescimento do uso de medicamentos para emagrecimento, como o Ozempic, ampliou uma discussão que ultrapassa o universo da saúde e alcança também o esporte. Embora essas substâncias tenham sido desenvolvidas para finalidades específicas, sua popularização despertou dúvidas sobre os possíveis impactos no desempenho físico, especialmente entre atletas e praticantes de atividades de endurance. O interesse pelo tema aumenta à medida que mais pessoas conciliam objetivos relacionados à composição corporal com metas esportivas.
Neste conteúdo, serão abordados os principais impactos desses medicamentos sobre atletas, os cuidados necessários e os fatores que devem orientar decisões responsáveis.
Como esses medicamentos atuam no organismo?
Medicamentos como o Ozempic atuam principalmente no controle da glicemia e na redução do apetite, promovendo uma sensação de saciedade prolongada. Como consequência, muitas pessoas diminuem significativamente a ingestão de alimentos, favorecendo a perda de peso ao longo do tratamento. Sob o ponto de vista clínico, essa característica pode representar benefícios importantes para pacientes com indicação médica, mas seus efeitos merecem atenção quando o organismo está submetido a elevados níveis de esforço físico.
Como destaca Rolando Bonaccorsi, os atletas possuem demandas energéticas muito superiores às da população em geral. Treinos prolongados exigem reposição adequada de carboidratos, proteínas, líquidos e eletrólitos para sustentar a produção de energia e favorecer a recuperação muscular. Quando a ingestão alimentar diminui de forma expressiva, existe o risco de o organismo não receber nutrientes suficientes para atender às exigências do treinamento.
A perda de peso sempre melhora a performance?
Existe uma percepção bastante difundida de que reduzir o peso corporal resulta automaticamente em melhor desempenho esportivo. Embora essa relação possa existir em determinadas situações, ela depende da forma como o emagrecimento acontece e da preservação da massa muscular. Reduções rápidas de peso nem sempre representam ganho de performance, especialmente quando são acompanhadas por perda de força ou diminuição da capacidade de recuperação.
No ciclismo de estrada, por exemplo, potência e eficiência caminham lado a lado. Um atleta pode tornar-se mais leve, mas perder parte da capacidade de sustentar esforços intensos caso a redução de peso ocorra às custas da massa muscular. Segundo Rolando Bonaccorsi, nesses casos, o benefício esperado pode ser parcialmente anulado por uma queda na produção de potência durante subidas, sprints ou trechos de maior intensidade.
Também merece atenção o impacto sobre a rotina de treinamentos. Alimentação insuficiente tende a aumentar a sensação de fadiga, prolongar o tempo necessário para recuperação e dificultar a adaptação às cargas de exercício. Com o passar das semanas, esses fatores podem limitar a evolução esportiva e elevar o risco de lesões relacionadas ao excesso de treinamento e à baixa disponibilidade energética.
Quais cuidados os atletas devem considerar?
Qualquer decisão envolvendo medicamentos para emagrecimento deve ser acompanhada por profissionais qualificados, considerando tanto os objetivos de saúde quanto as exigências da prática esportiva. Cada atleta apresenta características individuais relacionadas ao metabolismo, volume de treinamento, composição corporal e histórico clínico, tornando inadequadas soluções generalizadas para todos os casos.
Rolando Bonaccorsi frisa que a nutrição esportiva continua exercendo papel central nesse processo. Mesmo quando existe necessidade clínica de utilizar esse tipo de medicamento, torna-se fundamental ajustar o planejamento alimentar para garantir oferta suficiente de energia, proteínas e micronutrientes. Esse acompanhamento contribui para preservar o desempenho, minimizar perdas musculares e reduzir possíveis efeitos adversos durante os treinamentos.
Por fim, a avaliação contínua dos resultados é outro ponto importante. Mudanças na composição corporal devem ser analisadas juntamente com indicadores de performance, recuperação, qualidade do sono e sensação de bem-estar. Dessa maneira, torna-se possível identificar rapidamente eventuais impactos negativos e adaptar as estratégias sempre que necessário.


