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Proposta que proíbe redes sociais para menores de 16 anos divide opiniões na Câmara dos Deputados

Proposta que proíbe redes sociais para menores de 16 anos divide opiniões na Câmara dos Deputados

Projeto de lei avança em comissão e propõe reforçar o ECA Digital, já em vigor desde março, com vedação expressa ao acesso de crianças e adolescentes.

Projeto propõe proibição de redes sociais para menores de 16 anos

A discussão sobre os limites do uso de redes sociais por crianças e adolescentes ganhou um novo capítulo na Câmara dos Deputados neste mês, com o debate do Projeto de Lei 94/26 na Comissão de Educação. A proposta, de autoria da deputada Greyce Elias, prevê a vedação expressa ao acesso a redes sociais de qualquer natureza por pessoas com menos de 16 anos, além de exigir que as plataformas adotem mecanismos mais rígidos de verificação de idade e controle de cadastro.

Objetivo é ampliar a proteção de crianças e adolescentes

Segundo a autora do projeto, a proposta se justifica pela necessidade de proteção integral de crianças e adolescentes diante de riscos como cyberbullying, assédio, exploração sexual, discurso de ódio e algoritmos que incentivam o uso excessivo das plataformas digitais. Ela argumenta que esses fatores estão diretamente relacionados a sintomas de ansiedade, depressão, isolamento social e, em casos mais graves, ideação suicida entre jovens usuários de redes sociais.

Proposta busca fortalecer o ECA Digital

Para a deputada, o projeto representa um aperfeiçoamento do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital, sancionado sob a Lei 15.211/2025 e em vigor desde março deste ano. Ela defende que a proibição deve vir acompanhada de reforço na educação digital tanto de jovens quanto de seus responsáveis, com o objetivo de que, no futuro, medidas restritivas como essa deixem de ser necessárias diante de uma sociedade mais consciente sobre direitos e deveres no ambiente digital.

Audiência destaca impactos do uso de celulares e redes sociais

Durante a audiência na Comissão de Educação, a procuradora-geral do Distrito Federal, Diana Ramos, também defendeu a proposta, citando o conceito de incapacidade absoluta previsto no Código Civil brasileiro. Segundo ela, a recente lei de restrição ao uso de celulares nas escolas já demonstrou resultados positivos em termos de maior aprendizado, interação social e realização de atividades lúdicas entre estudantes, o que reforçaria a lógica de medidas semelhantes voltadas às redes sociais.

Plataformas já adotam idade mínima para cadastro

Atualmente, o Brasil não conta com uma proibição geral por lei específica para o uso de redes sociais por menores de 16 anos, embora as principais plataformas já adotem regras etárias próprias. Redes como Instagram, TikTok, Facebook e X, por exemplo, estabelecem idade mínima de 13 anos para a criação de contas, seguindo padrões internacionais de proteção à infância que já vigoram em boa parte do mundo.

Especialistas apontam falhas na verificação de idade

Pesquisas sobre comportamento digital de crianças e adolescentes no Brasil, no entanto, indicam que uma parcela relevante dos usuários cria perfis antes mesmo da idade mínima exigida pelas próprias plataformas. Especialistas em proteção digital apontam que o modelo de autodeclaração de idade facilita a abertura de contas com informações incorretas, o que ajuda a explicar por que há tantos menores nas redes sociais mesmo diante de regras formais já existentes nas próprias empresas.

ECA Digital amplia exigências para empresas de tecnologia

O ECA Digital, já em vigor desde março, obriga empresas de tecnologia a adotar medidas concretas de proteção a menores, incluindo mecanismos de verificação etária, ferramentas de supervisão parental e retirada de conteúdos considerados prejudiciais. A legislação também proíbe a oferta a crianças e adolescentes de materiais como exploração sexual, pornografia, violência extrema e publicidade abusiva, além de proibir a simples autodeclaração de idade como forma de acesso irrestrito a plataformas digitais.

Empresas e famílias podem enfrentar novas mudanças

Do ponto de vista prático, caso o PL 94/26 avance nas próximas etapas legislativas, empresas de tecnologia precisarão intensificar ainda mais seus mecanismos de verificação de idade, que já vinham sendo cobrados pelo ECA Digital. Para famílias brasileiras, o desdobramento dessa discussão pode significar mudanças relevantes na forma como filhos adolescentes acessam redes sociais, especialmente diante da possibilidade de uma proibição etária mais rígida do que a atualmente praticada pelas próprias plataformas.

Projeto ainda seguirá tramitação na Câmara

Nos próximos meses, o projeto ainda precisa passar por outras comissões da Câmara antes de eventualmente ser votado em plenário, em um processo que deve continuar gerando debate entre parlamentares, especialistas em direito digital e representantes de empresas de tecnologia sobre o equilíbrio entre proteção infantil e liberdade de acesso à informação no ambiente digital.

Fontes:
https://www.camara.leg.br/noticias/1288876-proibicao-do-acesso-de-menores-de-16-anos-as-redes-sociais-tem-divergencias-na-comissao-de-educacao/
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-03/eca-digital-comeca-valer-nesta-terca-confira-principais-pontos

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